| Celso Luiz, eu e Rosilma em mais um jogo do Botafogo |
No fim da tarde de segunda-feira um colega do trabalho (Vinicius) me telefonou me perguntando se eu poderia fazer o dia dele na quarta: confesso que eu me arrependeria depois da decisão que tomei. Ele fez o meu plantão e na terça-feira tinha jogo do Botafogo às 21:50 no Nilton Santos e minha ideia era poder descansar ( o que não acabou acontecendo do jeito que eu gostaria) pois no final da tarde de terça-feira iria para casa da minha amiga Rosilma e de lá junto dela e do amigo Celso Luiz irmos juntos para o estádio. Adiantei o que pude durante o dia na terça-feira e no final da tarde (não saberia dizer em qual horário saí de casa) parti rumo a Vila da Penha.
Eu tinha como opções sair de casa e ir até Marechal Hermes utilizando a 731 (Marechal Hermes - Campo Grande) e chegando lá, fazer baldeação embarcando na 928 (Marechal Hermes - Ramos); optei entretanto por utilizar a linha 926 (Penha - Senador Câmara) fazendo assim o uso de apenas uma passagem e a possibilidade de se ganhar tempo. Próximo ao ponto para o qual eu me direcionava vi passar no contra fluxo dois carros da polícia que se dirigiam para a comunidade (favela) mais próxima: Vila Vintém! Na esquina do ponto, comecei a ouvir tiros e decidi voltar; ainda era cedo, mas perdi alguns minutos me deslocando para outro ponto visando ir por Marechal Hermes.
Não demorou muito e o 731 apareceu e comecei a estudar as opções que eu tinha a partir daquele instante: eu ainda poderia soltar na Vila Militar e esperar o 926 por lá; do alto do viaduto de Magalhães Bastos vi tal linha ainda subindo e pedi ao motorista que me deixasse no ponto seguinte e como havia retenções no trânsito, deu tempo de eu embarcar no 926.
Não estava indo trabalhar, mas ainda assim peguei trânsito e detalhe: fazendo um caminho que, devido o horário,deveria estar bom! Levei um tempo para sair da Vila Militar e perdi alguns minutos mais para subir e descer o viaduto de Deodoro para chegar à Av.Brasil que tinha trânsito livre; a viagem se agilizaria enquanto o ônibus estivesse nas imediações de Honório Gurgel e Rocha Miranda para depois ficar ruim novamente pelas ruas de Irajá; em compensação dali em diante eu estava mais próximo da casa de Rosilma...
Ao entrar na rua onde Rosilma mora, telefonei para o meu pai avisando que havia chegado e lhe perguntei se havia necessidade de lhe telefonar quando chegasse ao Nilton Santos e ele disse que não, mas que eu lhe telefonasse quando chegasse no trabalho no dia seguinte; a ligação seguinte foi para Rosilma que não atendeu de pronto. Entretanto eu sabia que poderia tocar o interfone da portaria de seu prédio que eu seria atendido por seu sobrinho Vinicius (que não é o mesmo do inicio da crônica).
Mas quem me atendeu foi Gabriel (irmão mais velho de Vinicius e também sobrinho de Rosilma), ele me disse que o irmão havia ido cortar o cabelo; começamos a conversar e ele (Vascaíno) disse já está conformado e não acreditar mais que o Vasco escape da segunda divisão do ano que vem (2016) de novo, mas tentei animá - lo do ponto de vista de um torcedor que, em futebol tudo pode acontecer! Mas a verdade era que a situação do Vasco era sim preocupante.
Conversamos sobre profissões, faculdade, futuro; expus o meu projeto de transformar em livro as minhas idas e vindas dos jogos do Botafogo que abrangeria não só a parte tática, mas também como pensar o torcedor, o que ele faz (e como faz) para chegar ao estádio...esta crônica aqui é um exemplo! Quando Vinicius chegou, o assunto continuou, mas logo voltamos para o terreno do futebol: Vinicius é torcedor do Fluminense!
Alguns instantes depois, Rosilma chegara; disse - me que iria tomar banho, se arrumar e que antes de sairmos iríamos fazer um lanche; informou - me ainda que passaríamos em determinado ponto do bairro para pegar uma conhecida sua que estava indo para o Engenho de Dentro, assim como nós.
Nesse ínterim, chegou mais um membro dessa família de amigos tão queridos: Kiko! Kiko começou a discorrer sobre o seu time de coração (o Fluminense) e a comentar sobre o bom momento administrativo pelo qual o seu clube passa mesmo após a saída da patrocinadora master: a UNIMED! E claro, não poderíamos deixar de citar a contratação de Ronaldinho Gaúcho.
Instantes depois saímos e fomos buscar Ana Paula: a moça que (além de morar no Engenho de Dentro) era torcedora do Botafogo, mas que não iria ao jogo. Ela iria se atrasar e isso deixaria Rosilma um pouco chateada pois ainda iríamos passar na casa de Celso Luiz para que ele fosse junto conosco ao estádio; Gabriel estava conosco (pediu uma carona para chegar à academia) e quando paramos para esperar Ana Paula sugeri que (devido aos grandes índices de violência) saíssemos de dentro do carro para que ficasse mais fácil de identificarmos quem estava ao nosso redor; Gabriel disse então que não via muita diferença entre ficar dentro ou fora do carro, uma vez que, se tivessem que levar o veículo iriam levar...eu por minha vez disse que do lado de fora, pelo menos, se tivessem que levar o carro não nos levaria junto! E além do jogo do Botafogo, esse assunto (a violência na cidade) também entraria em nossa pauta.
Após passar pela casa de Celso, antes de começarmos a conversar efetivamente sobre o Botafogo e a partida que estávamos para assistir, Celso comentou que havia ouvido tiros; instantes depois estávamos deixando Gabriel em frente a academia e Rosilma atendeu a um telefonema de sua irmã dando conta de que estava havendo um tiroteio no morro do Juramento (parte do nosso trajeto consistia em passar por essa área), entretanto já não havia como mudar o itinerário, mas ficara combinado que nos manteríamos informados de forma que, caso o tiroteio continuasse, não faríamos aquele caminho de volta para casa! Nossa última parada foi deixar Ana Paula na esquina de casa e partirmos para o Nilton Santos: ainda chegaríamos com tempo sobrando apesar de tudo...
Na minha mochila que havia ficado na casa de Rosilma, estava uma muda de roupa e meu uniforme pois eu iria trabalhar na quarta-feira pela manhã e ainda por cima iria dobrar! Combinei com Vinicius que acordaria junto com ele uma vez que, ele indo para faculdade e com seu pai lhe dando uma carona, poderia me deixar no caminho para que eu pegasse a minha condução rumo a Cascadura; leva - se em consideração que, não tenho por hábito assistir aos jogos nesse horário absurdo de 21:50 e que quando faço isso é um jogo de maior relevância (cito aqui Botafogo x Deportivo Quito pela Libertadores no incio de 2014), só que, Rosilma havia me dito que eu poderia pernoitar em sua casa.
Muito provavelmente, daqui para frente, esta crônica não sairia da forma como vai sair: imagino que ficará faltando informações e que outras serão acrescentadas; durante o dia de quarta-feira comprei o jornal "Expresso", no intuito de, no turno da noite caso o meu plantão ficasse tranquilo no trabalho eu pudesse fazer um esboço do que seria esta crônica. Minha noite não foi tranquila, pelo contrário: foi estressante e por outros dois plantões seguintes eu tentaria em vão, escrever esse esboço! Hoje é domingo, dia 02/08/2015 e ainda estou escrevendo a crônica do dia 28/07 e ontem, dia 01/08 teve jogo do Botafogo (também pela série B) contra o Luverdense e esta é mais uma crônica que tenho para escrever sem saber se terei tempo! Toda essa lenga - lenga, essa explicação é para dizer que talvez a cronologia dos fatos não seja fiel ao que aconteceu...
Após a saída de René Simões, quem estava a frente do time era o interino Jair Ventura e seria seu último jogo a frente do mesmo pois Ricardo Gomes iria assumir no jogo contra o Luverdense; a intensão de Jair Ventura era deixar o Botafogo na liderança do campeonato (o que de fato no final da partida iria acontecer), mas foi um jogo chato e ruim de se ver com muitos erros e se o Botafogo se manteve na liderança foi graças ao tropeço, incompetência dos adversários os quais nós já começávamos a ver pelo retrovisor!
Ainda falando sobre Jair Ventura e Ricardo Gomes: ambos foram incentivados e ovacionados antes da partida começar. O primeiro seria chamado de "burro" ao término da partida devido a demora para fazer as substituições necessárias no time e por tê - las feito de forma equivocada.
Ultimamente o Botafogo tem feito dois tempos distintos: nesta partida o Botafogo não jogou bem, mas também não jogara tão mal a ponto de segurar os ímpetos do Criciúma que parecia querer, estar satisfeito em sair do Rio apenas com o empate; comentei com Rosilma que quem tinha de se impor era o Botafogo: Botafogo que é time grande e estava jogando em casa!
Se o Botafogo não jogava bem e se o jogo estava ruim, ficaria pior no segundo tempo: o Botafogo cansou e eu falei para Rosilma que se o jogo era nosso e tínhamos (mesmo jogando mal) a possibilidade de ganharmos o jogo, era fato de que os espaços se ampliaram para ambas as equipes só que, o Criciúma passara a gostar do jogo e não seria surpresa nenhuma se o time visitante abrisse o placar e voltasse para casa com a vitória!
Como eu disse antes, um dos assuntos em pauta seria a violência na cidade. Rosilma comentou comigo e com Celso que os tiros continuavam e que começou sugerir rotas alternativas para o nosso retorno para casa; lembrou - se do que havia ocorrido comigo horas antes a caminho do ponto de ônibus quando eu me encaminhava para sua casa.
O time todo não jogou bem, mas as criticas foram direcionadas em sua maior parte para Willian Arão, Octávio, Luis Henrique e Gegê! A verdade é que a torcida está ansiosa, impaciente e estressada; está vendo o time tropeçar, perder pontos fáceis para times que estão no meio da tabela!
Parte da torcida está se "estranhando": não estou falando de violência ou algo do tipo. Vou citar um exemplo: eu fico a direita da LPB (Loucos Pelo Botafogo) que tem como objetivo e principio apoiar o time do início ao fim das partidas. Pois bem: na parte em que eu estava, enquanto eles cantavam e pediam pela entrada do jogador Navarro (recém - contratado), mesmo que no meio de todo o barulho, um torcedor esbravejou para o lado da Loucos! A paciência havia acabado...
Lembro-me de um lance que Luis Henrique saiu um pouco de trás da linha de meio de campo, carregou a defesa do time adversário todinha atrás dele, sem que ninguém o acompanhasse! Tentou penetrar na área do Criciúma e sem conseguir tocou a bola para que o jogador mais próximo perdesse a jogada; teve um outro lance semelhante com Octávio que foi pela lateral direita até a linha de fundo e quando foi cruzar que olhou, cadê? Não tinha ninguém! Foi desarmado e a torcida o vaiou, reclamou de sua falha...
No fim da partida a torcida gritou pedindo RAÇA! Lembrei - me da época em que minha mãe estava viva e que ela me pedia para pedir RAÇA ao time, só que nesta época eu não era sócio torcedor e não conhecia metade dos amigos que conheço hoje...e eu acho que um dos jogadores que, se não jogou com RAÇA pelo menos mostrou vontade e determinação e correu pra cacete: Gegê! Como ele errou muitos passes a torcida com uma fúria ensandecida, um rancor (e talvez sendo exagerado) um ódio mortal ao jogador citado mandando - o ir tomar no cu! Se eu o mandei ir tomar no cu? Não, isso eu não fiz por achar que este e alguns outros jogadores vem sido perseguidos e injustiçados. Temos que entender que esse é o nosso time, limitado e de série B! A diretoria montou um time de acordo com suas possibilidades financeiras...
A torcida saíra insatisfeita do estádio; Rosilma, eu e Celso nos encontramos com alguns conhecidos deles; o mais novo da turma (um adolescente) dizia que não iria assistir ao jogo no sábado; esbravejou, reclamou, sugeriu...a gente o chamou de "Lodeiro"! Fizemos um lanche e partimos para o estacionamento; por incrível que pareça voltamos para casa falando sobre...política!
Rosilma telefonou para casa e ficamos sabendo que a situação pelo caminho que iríamos fazer estava tranquilo; graças a Deus chegamos bem. Não foi a primeira vez que pernoitei na casa de Rosilma: da primeira vez (talvez pelo jogo ter sido mais cedo) chegamos em casa e encontramos os garotos acordados, desta vez não, o que de certa forma foi bom: no dia seguinte eu teria de acordar cedo...
Para adiantar as coisas, tomei logo meu banho e fui me deitar; fiz um esforço para dormir e não sei que horas peguei no sono, só sei que as 3:35 da manhã eu estava acordado e ainda faltava tempo até que Vinicius se levantasse...virava para um lado, virava para o outro, contei carneirinhos, fiz uma oração, olhei para o teto e...nada!
Por volta das 5 da matina, a rotina da casa começava: Kiko pensou que havia me acordado e me pediu desculpas; lhe disse que não havia problemas. Fui me arrumar e por volta das seis estava no caminho do ponto de ônibus onde iria embarcar no 928 para soltar em Madureira e de lá ir andando até Cascadura! Estava preocupado pois, eu tinha de render meu amigo Steven às sete horas...
Consegui chegar no horário; o dia foi corrido e cansativo, mas não estressante. Porém, como não havia dormido bem, no inicio da noite (antes mesmo disso) o cansaço veio e o plantão da noite não ajudaria em nada para que eu pudesse descansar!
Enfim, tudo isso são "pequenas loucuras" que alguns de nós torcedores fazemos para estar ao lado do Botafogo mesmo que time não esteja correspondendo as nossas expectativas.
Saudações Alvinegras!
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