Você sabe como é a torcida do Botafogo: chata e desconfiada. Ninguém nunca tinha ouvido falar em Junior Santos.
Junior Santos começou a mostrar seu futebol sem muito alarde. Não sei se cabe a comparação, mas Junior Santos demorou a engrenar, tal qual Rafael Marques: com certeza você ainda deve se lembrar dele. A diferença deste para Junior Santos, é que este levou menos tempo para superar nossas expectativas de torcedor, expectativa que nem nós mesmos sabíamos que tínhamos.
Não sei se estou seguindo uma ordem cronológica perfeita, e por isso não sei se vou colocar as duas situações a seguir no espaço-tempo correto. Ainda que tivesse ocorrido oscilações (e não sei se foi por essa época), tenho certeza que não, Junior Santos começou a ser chamado de "bagre" pela torcida. Como ainda não me encontrei no espaço-tempo ( e acho que realmente não vou me encontrar) o sucesso alcançado por Junior Santos fez com que ele fosse vendido, e o torcedor iria sentir falta dele.
Mas por uma dessas ironias do destino, o Botafogo trouxe Junior Santos de volta. E o melhor: Junior Santos queria voltar. E aí talvez tenha sido por essa época, aparentemente o futebol dele não era o mesmo, e começou a ser chamado de "bagre". Acontece que Junior Santos perseverou, deu a volta por cima, e o resto é história. Uma história que terminou com final feliz, muito em parte graças ao Junior Santos: fomos campeões da Libertadores e do Brasileiro.
O Atlético-MG entrou em contato com o Botafogo, querendo saber se havia negócio. Junior Santos se interessou, mas neste caso o Botafogo fez um pouco de jogo duro: não queria liberar o jogador para um clube rival, e justamente para o nosso rival da final da Libertadores. Enquanto a situação não se resolvia, a torcida do Galo estava dividida. Botafogo sinalizou com um aumento salarial para o "jacaré", mas ele optou pela transferência de clube, e foi embora.
Foi pouco utilizado pelo técnico Cuca e estava tendo uma passagem apagada. Isso sem contar que vinha sofrendo com lesões e problemas de pagamento no clube. Será que mais uma vez ele conseguiria dar a volta por cima?
Levando em consideração o momento que o Botafogo vivia na temporada, muitos torcedores culparam John Textor por ter permitido que Luiz Henrique fosse embora, e sobretudo que não tivesse trazido alguém a altura para substituí-lo. E o mesmo poder-se-ia dizer de Thiago Almada. Mas vamos por partes, pois a situação de cada um deles tem suas peculiaridades.
Mas antes de prosseguirmos, quando eu falei sobre o atual momento do Botafogo na temporada, é porque no dia 23 de agosto de 2025, o Botafogo não se encontrava mais na caminhada rumo ao Bi da Libertadores, mas ontem (22) caiu para a LDU nas oitavas de final, e é nesse momento que a torcida cobra e faz comparações. Dito isto, vamos poder prosseguir.
Quando Luiz Henrique foi para o Botafogo, ele já veio sabendo que jogaria só a temporada de 2024 , e que iria para a Europa. Esse acordo foi costurado entre o jogador e John Textor, e nós os torcedores sempre soubemos disso. Sendo assim, porquê o espanto? Luiz Henrique iria para o Lion (França), um clube da multi-rede de clubes de John Textor.
Nessa história toda, a única coisa que mudou é que Luiz Henrique foi vendido para um clube russo, contrariando a lógica de que o jogador queria ir para a Europa. No caso de Thiago Almada, a única diferença para Luiz Henrqiue, é que o primeiro foi por empréstimo para o Lion e (posteriormente), vendido para o Atlético de Madrid: Almada se deu bem. Talvez melhor até que Luiz Henrique.
Se você chegou até aqui, muito obrigado! Lembrando que esta crônica é de 2025. Creio que você deve ter percebido que a estava escrevendo pelo mês de agosto do referido ano.
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