domingo, 16 de março de 2025

BOTAFOGO 2 X 1 São Paulo (08/12)


Foi em um domingo como este...

Faz um tempo que eu venho dizendo que em breve vou escrever uma crônica sobre aquele Botafogo 2 X 1 São Paulo. O jogo estava empatado, e o empate era tudo que o Botafogo precisava para (29 anos depois) sagrar-se campeão brasileiro de 2024 (tricampeão brasileiro). Não sei se esta crônica vai ser definitiva, mas sei que aqui vai o ponta pé inicial para finalmente escrever algo sobre o assunto.
E a ideia, a inspiração começou na barbearia a partir de uma conversa com um flamenguista amigo meu. Conversa vai, conversa vem, me lembrei de uma crônica famosa (não na íntegra) intitulada "O Botafoguense" por Nelson Rodrigues (1912 - 1980) sobre o torcedor alvinegro. Nelson Rodrigues dizia que "o torcedor alvinegro é o único que vai aos estádios e, ao invés de esperar a vitória, espera precisamente a derrota." Talvez nós, torcedores alvinegros ainda sejamos assim, mas algo pode ter mudado.
Como torcedor alvinegro, com a chegada de John Textor, da SAF, dos investimentos, e da qualidade dos jogadores, a gente não espera mais pela derrota, mas com certeza ficamos putos pra caralho se ela vier, ou um empate. Porém, temos certeza que vamos estar mais perto da vitória. Nelson Rodrigues seguiu sua crônica dizendo que "o botafoguense não se parece com ninguém, mesmo de barba postiça, óculos escuros e impressões digitais raspadas."
A crônica do escritor vai adiante, mas para a minha crônica, esta que estou escrevendo, o que Nelson Rodrigues disse sobre nós, os torcedores alvinegros é o suficiente. Sabia que se eu quisesse fazer uma crônica maneira sobre o assunto, eu teria que pesquisar, e lembrei que parte dessa crônica de Nelson Rodrigues estava no livro de Roberto Porto (1940 - 2014), escritor e jornalista alvinegro. Está logo no início do livro (pags 17, 18).
Como eu disse ainda pouco, o jogo virou. O Botafogo só precisava de um empate. Se não me falha a memória (e talvez eu precise voltar a falar sobre esse jogo) em uma trama lá pela lateral esquerda (não lembro como foi que aconteceu), a bola vai para os pés de Gregore que chuta com força sem chance de defesa para o goleiro do São Paulo e ampliamos o placar 2 X 1. Me vem a cena emblemática da torcedora chorando de felicidade. Nós seríamos campeões jogando em casa e com vitória!
O jogo estava tenso (pois o São Paulo podia fazer o segundo), mas se algum dia nós fomos pessimistas (e talvez ainda sejamos em determinado momento), naquele dia, nós deixamos de ser, e fomos agraciados com aquele gol! A torcida (tal qual como aquela senhora, e cada um a sua maneira), comemorou, vibrou. O freguês da barbearia (já meu amigo, pois já o conheço faz algum tempo), sorriu diante da minha analogia relembrando a crônica de Nelson Rodrigues.
Torcedor raiz, ele nos elogiou a todos nós torcedores alvinegros por sermos torcedores raiz, por sermos resiliência e que os nossos títulos foram justos e merecidos. Será que tudo teria sido diferente se não tivéssemos sido campeões da libertadores? Não sei. Será que isso importa? Se o Botafogo tivesse sido favorito desde o início, mas se não fosse o Botafogo, fosse outro clube, a imprensa e seus torcedores diriam que já eram campeões: o verdadeiro significado da arrogância e soberba.
Mas nós não, fomos subindo (humildemente), degrau por degraus, e fomos recompensados por isso. Dizem que o Botafogo não vai ganhar nada esse ano. Nada é exagero. Talvez não vamos ganhar dois títulos, mas aposto em pelo menos um. Qual? O que vier! E se não for esse ano, sabemos que podemos confiar que John Textor se empenhará para que esses títulos cheguem. Fica a decepção por não termos ganho a Super Copa do Beasil e a Recopa. Vida que segue.
Saudações alvinegras.

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