sexta-feira, 1 de novembro de 2024

É TEMPO DE BOTAFOGO - Peñarol 3 x 1 Botafogo (3 x 6 - agregado)


O ano era o de 1973: o Botafogo chegava pela primeira vez na semifinal da libertadores. Difícil dizer se meu pai assistiu o tomou conhecimento do fato: acredito que está segundo opção seja a mais provável. É TEMPO DE BOTAFOGO. Naquele ano de 1995, comemorei com meus pais o título brasileiro de 1995 (a principio, o primeiro). Peguei uma folha em branco e desenhei a bandeira do Botafogo, colando-a em um palito de churrasco.

É TEMPO DE BOTAFOGO. Vivi intensamente a libertadores de 2014, mas talvez tenha vivivido muito mais a de 2017. Bebi como nunca havia bebido antes. Saía do trabalho direto para o jogo (ou então), do trabalho para a faculdade e depois para o jogo. Infelizmente, ainda não havia chegado nosso momento.

É TEMPO DE BOTAFOGO. Para alguns (ou para muitos) o título do campeonato Carioca de 2018, possa ter sido irrelevante, devido ao regulamento bizarro: o Botafogo não conquistou nenhum dos turnos, mas chegou a final, num jogo épico. Eu estava trabalhando no dia, não fui ao jogo. Talvez por isso, eu tenha valorizado aquele título. Em 2020 (acho que já estávamos na pandemia) um vizinho rubro-negro, ao sair do bar da esquina, fez o seguinte comentário: "o que é um pedido para quem já está cagado?"

O Botafogo se afundava mais e mais rumo a série B. É TEMPO DE BOTAFOGO. Naquele novembro de 2021 (me recuperando da cirurgia que fiz no tornozelo), com ajuda de amigos, fui de muletas assistir o jogo da redenção, o jogo que nos traria de volta a elite do futebol. Quem poderia imaginar que estaríamos vivendo tudo isso que estamos vivendo hoje? Líder do campeonato brasileiro, com a possibilidade de título, tal qual como na libertadores.

Estive na casa do Lennon no último sábado para assistirmos a Bragantino X Botafogo, e comentei com ele que se nossos amigos concordassem, reuniria os mais próximos aqui em casa para assistirmos ao jogo juntos. Reunir a turma dos jogos no estádio. Contudo, Lennon descartou a ideia. Disse ter quase certeza que vai ter um telão no Nilton Santos, e que ele vai preferir estar com os outros torcedores por lá.

É TEMPO DE BOTAFOGO. Chegou o grande dia. Também conhecido como ontem (30/10/24). O Botafogo fez o placar aqui no Rio: 5 X 0. Não tinha como nada dar errado. Porém, conversando com um amigo, disse-lhe que o Botafogo iria perder o jogo (e perdeu), mas que iria se classificar. Sabe como é: as vezes os fantasmas do passado vem nos assombrar. Não cheguei a dizer de quanto o Botafogo iria perder, mas será que isso realmente importaria?

No início da noite minha tia me mandou uma mensagem no WhatsApp: "filho, você está tranquilo para o jogo?" Respondi: me pergunte quando o jogo acabar. No que ela disse: "Mas e se você tiver encartado?" Minha tia não viu, mas eu tive que rir. Liguei a televisão e comecei a assistir o jogo. Logo com 1' Danilo Barbosa chega com muito ímpeto no jogador do Peñarol: para mim, foi falta. Não espere que (assim como em outras crônicas) eu trago todos os detalhes do jogo: não vai acontecer.

O sono chegou. Resolvi desligar a televisão. Cheguei até mesmo a cochilar. Ouvi fogos: despertei. Pensei comigo: porra, deve ter sido gol do Botafogo. Ao mesmo tempo pensei: e se tiver sido gol do adversário? Afastei essa ideia. Liguei a televisão, e estava lá: Peñarol 1 X 0 Botafogo. Mantive uma certa tranquilidade: afinal havíamos feito 5 gols aqui no Rio. Eles precisariam fazer 4. Ao término do primeiro tempo, o goleiro do Peñarol agrediu John e foi expulso.

Cheguei a pensar que John não fosse voltar. Pensei também que talvez a ideia do goleiro adversário era incentivar uma reação do nosso goleiro, e talvez de algum outro jogador nosso, e assim termos jogador (es) expulso (s), mas quem se fodeu foi ele. Meu pai (o qual pensei que estava dormindo), levantou e perguntou quanto estava o placar. Expliquei para ele tudo o que havia acontecido até aquele momento e profetizei: com um a menos, o Botafogo vai deitar e rolar. Ledo engano.

O árbitro marcou um pênalti para o Botafogo, mas o VAR chamou, e ele (o arbitro) voltou atrás em sua decisão. Ainda assim teria sido gol do Botafogo, e o placar iria para o 1 X 1. O Peñarol estava gostando do jogo. Não sei precisar o que aconteceu primeiro, mas Mateo Ponte conseguiu fazer o que o goleiro do Peñarol não conseguiu: fazer com que também ficássemos com menos um. Meu pai disse: "Quem sabe agora o Botafogo não volta para o jogo? Não está jogando nada."

Porém, meu pai havia chegado no lance em que o Marlon Freitas quase faz o primeiro do Botafogo. Superstição aqui em casa passa longe, mas de sacanagem, falei para o meu pai, meio zoando, meio sério: agora você vai ficar aí, trouxe sorte para o Botafogo. Ele ficou. O Peñarol fez o segundo. O Botafogo abriu o placar: 2 X 1. Meu pai e eu respiramos tranquilos, mas a defesa do Botafogo dormiu: 3 X 1. O jogo estava acabando, no agregado, estava 3 X 6.

É TEMPO DE BOTAFOGO. O tempo (e o placar construído aqui no Rio), estavam a nosso favor. Depois de muita tensão, o Botafogo se classifica pela primeira vez para uma final de libertadores. Tela dividida: festa em General Severiano com os torcedores que por lá estavam comemorando o feito. "É tão bonito ver/minha gente sorrindo de emoção." Salve a madrinha Beth Carvalho. Ia me esquecendo de dizer: meu pai e eu gritamos na hora do gol do Almada.

Não chorei, mas sorri (antes de desligar a televisão) ao apertar a mão do meu pai. Estava vivendo o melhor momento do nosso clube ao lado dele. Nem preciso dizer que foi foda pra dormir. Acordei cedo e fui fazer a minha caminhada. Na grande praça de Bangu, encontrei dois coroas. Um deles (tricolor), disse o seguinte: "Quando vi esse rapaz passando por nós, o achei meio amarelo." Eu estava conversando com um botafoguense que disse o seguinte para o tricolor: "O que vocês estão disputando?"

Voltei para casa, e uns amigos com a ideia de nos reunirmos para assistirmos a final juntos. Porém, disse que caso isso venha acontecer, talvez eu prefira assistir em casa, ao lado do meu pai, para no caso do Botafogo ser campeão, eu poder dizer no futuro para quem quiser ouvir, que eu comemorei esse título ao lado dele, assim como foi em 1995 junto dele e da minha mãe. A crônica ficou um pouco mais longa, e não por isso, mas fugiu ao meu controle.

No mais meus amigos...É TEMPO DE BOTAFOGO, e que possa ser o começo de um tempo de muitos tempos.

Saudações Alvinegras.

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