quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Botafogo 1 x 1 Santos (26/11)


Antes de sair de casa acessei o moovit (aplicativo que informa qual o horário o ônibus vai passar), e este informava que meu ônibus iria passar às 13h10. Quando faltavam dez minutos para às 13h saí de casa.

Meu pai havia me sugerido realmente não sair muito perto do horário em que o ônibus iria passar, pois existia a possibilidade de passar antes: é raro, mas as vezes acontece. O ponto na estrada que faz esquina com a minha rua estava deserto. O ônibus passou no horário correto. Era a primeira parte da minha viagem rumo  ao Estádio Nilton Santos.

Da minha casa até Marechal Hermes, levei quinze minutos. Ao saltar do ônibus, na praça, tinha um táxi parado ali (aliás, o taxista é meu amigo). O cumprimentei de forma breve atravessei a pista indo me certificar com o despachante do ônibus o qual eu havia acabado de desembarcar, qual seria o horário que o último sairia de noite. Fui informado que o último sairia dali, às 21h. Levando em consideração que o jogo era às 16h, terminaria por volta das 18h, que o Botafogo iria vencer o jogo, e que a galera ficaria um pouco mais para comemorar, e que poderia ser difícil sair do entorno do estádio, eu não iria precisar me preocupar: tinha tempo de sobra para chegar com tranquilidade em Marechal Hermes. Quando eu voltei para o ponto de táxi na praça, não demorou muito, o taxista saiu. Ficaram por lá um motorista e o despachante da Auto Viação Três Amigos (que também iriam embora logo).

Depois disso fiquei por ali esperando pela minha carona. Carona dos meus amigos Léo e tio Nivaldo (que são meus amigos desde 2015). Havíamos combinado de eles passarem lá pela praça às 14h. Sendo assim, porque cheguei tão cedo? O mesmo Moovit havia me sinalizado que o outro ônibus  (da mesma linha a qual eu havia acabado de desembarcar - só tem essa), passaria apenas às 13h45. Era óbvio que eu não chegaria a tempo. Do outro lado da praça, pessoas almoçando, bebendo e ouvindo boa música: Benito Di Paula, Capital Inicial, Raça Negra. Enquanto eu andava de um lado para o outro, fiquei cantarolando as músicas. Vi um pai passando com seu filho rumo ao jogo (foram para a estação do bairro), assim como uma mãe com seu filho. Meus amigos chegaram e pudemos partir para o Nilton Santos. É preciso ressaltar que o jogo deste dia foi o primeiro que consegui ir assistir esse ano.

Como os resultados não vinham sendo favoráveis nos últimos jogos, meus amigos (supersticiosos) acreditavam que essa mudança faria com que o resultado fosse favorável ao Botafogo (e quase foi), mas sobre isso falaremos mais a frente. um outro detalhe: Léo quis saber quando havia sido a última vez que eu tinha ido a um jogo no ano passado. Como eu faço registros por meio de fotos quando vou aos jogos, não foi difícil identificar que a última vez que eu havia ido a um jogo do Botafogo foi em outubro do ano passado. a viagem foi tranquila até o estádio. aproveitamos para conversar sobre outros assuntos também.

Estacionamos no setor norte e saímos para a rua rumo ao setor leste. Cumprimentamos o Almanaque Alvinegro. Eu havia olhado, mas não reconheci de imediato. Tio Nivaldo o cumprimentou e falou com Léo que também o cumprimentou. Foi aí que a ficha caiu e me liguei de quem se tratava. O Almanaque já esteve no podcast Glorioso Connection. Seguimos em frente até o bar do Russo onde sempre paramos antes dos jogos e depois também, independentemente do resultado. A gente para por lá para prosear, fazer um lanche e beber.

Enquanto eu fazia um lanche e bebia minha cerveja, tive a oportunidade de cumprimentar Matheus: mais uma daquelas amizades que já existe faz um tempo. Tirei o celular do bolso e vi que havia uma ligação do meu amigo Bygode, assim também como do Lennon. Lennon (que também havia me enviado mensagem), me perguntou se eu já tinha chegado. Liguei para Bygode que me informou já ter entrado no estádio. Quanto ao Lennon respondi que sim, que já tinha chegado. ele me disse que estava próximo ao estacionamento da norte. No caminho rumo a rua do setor norte, cumprimentei um amigo de rede social: Henrique (não me recordo o nome dele todo no momento), e segui tendo visto antes de virar a esquina, Bernardo do canal Central Botafogo (mais um personagem com passagem pelo Glorioso Connection), mas como estava com passos rápidos não me detive para cumprimentá-lo. Lennon, Suelen e eu iríamos entrar juntos no estádio: meu ingresso estava com eles. Ele me disse que estava no "Point Engenhão". Lá, eu tive a oportunidade de cumprimentar uma amiga  (que não vou citar o nome por não ter autorização), que é a responsável pelo comércio. Tive a oportunidade de conhecer presencialmente Ednilton Navarro (facebook), assim como (também) com Luís Soares, com o qual já havia tido a oportunidade de assistir a algum jogo na arquibancada.

Depois chegou um outro conhecido deles (o qual eu não conhecia), e ficamos por ali algum tempo bebendo e conversando até que começou a se aproximar a hora do jogo. Atravessamos a rua para acessar o setor leste por dentro do estacionamento.

Enquanto nos encaminhávamos para a arquibancada, Lennon disse para mim o seguinte: "nós vamos ganhar, porra". Estávamos confiantes. Respondi: mas é claro que vamos: eu estou aqui! Muita pretensão, não acha? Diante do tempo que eu fiquei longe do estádio e dos resultados adversos do Botafogo nos últimos jogos, eu era "a novidade". Aquele que poderia fazer algo de diferente. Zoamos dizendo que, se ganhássemos esse jogo (a tal da superstição), eu teria que me fazer presente no jogo contra o Cruzeiro, pois eu teria levado sorte para o Botafogo. Fala sério! 

Passamos por aquele estande onde a gente tira fotos, e tiramos duas. Partimos para a arquibancada e o jogo já estava com dois minutos de iniciado. Também falarei sobre o jogo, só que mais a frente, mas posso adiantar algumas coisas, como por exemplo: num primeiro momento, o Santos dava às cartas, mostrando uma certa precisão na marcação.

Uma das coisas ruins de se escrever uma crônica no dia seguinte, ainda mais quando se está no estádio, é que o fator tempo nunca será bem definido, mas creio que a partir dos oito minutos o Botafogo assumiu o controle da situação. Aos 11' Danilo Barbosa abriu o placar: Botafogo 1 x 0 Santos. Explosão de alegria; festa na torcida. estávamos confiantes, não era difícil de identificar isso nos semblantes de outros torcedores. Lennon voltou a dizer que iríamos vencer.

Por falta de uma palavra melhor, me arrisco a dizer que o Botafogo foi primoroso no primeiro tempo, ainda que o Santos em momento algum tenha desistido de jogar. Fomos para o intervalo. Reconheci alguns rostos (como por exemplo o do Kaduzaum), mas que dessa vez não tive a oportunidade de cumprimentar.

No intervalo fui até um outro ponto do estádio onde sabia que iria encontrar outros amigos com os quais sempre que eu podia assistia aos jogos com eles: Camila (que fazia muito tempo eu não via, mas muito tempo mesmo), Nininha, Zé e Rosilma. Informei que não iria ficar para assistir ao segundo tempo com eles, pois sendo Lennon supersticioso, achou por bem eu voltar, pois o Botafogo estava vencendo o jogo. Como eles também são supersticiosos, concordaram. Sobre essa parada da superstição (só para você ter uma ideia), tem história. Lennon e eu temos um amigo que (antes da SAF) assistia aos jogos no setor norte, e invariavelmente o Botafogo empatava ou perdia, por conta disso passamos a chamá-lo de "pé-frio". Lennon e eu sempre fomos da leste. Fizemos uma aposta: se o Botafogo ganhasse na norte, esse nosso amigo teria que assistir a um jogo na leste (pelo menos um). Detesto assistir jogo atrás do gol, mas aposta é aposta: lá fui eu assistir o jogo na norte. O jogo (pelo Campeonato Carioca) foi de noite contra o Vasco. O Botafogo vinha de derrota. O Botafogo venceu aquele jogo: chegamos a conclusão então de que era esse nosso amigo que era o "pé frio". A zoeira pegou e segue desde aquela época. Este perfil tem muita  história para contar.

Mas porquê eu contei a história acima? Como o Botafogo vinha de resultados ruins, e esse nosso amigo estava no estádio (mais uma vez o fator zoeira), era chegado o momento do equilíbrio: eu indo, o Botafogo venceria. É por isso que não sou apegado a superstições.

No retorno para o segundo tempo o Botafogo não fez alterações, mas eu acho que o Santos (que não queria saber de brincadeira) voltou mais impetuoso tendo feito substituições. o Botafogo seguia firme: jogava bem, jogava com GARRA e disposição. Perto dos 20' Lennon comentou comigo que o técnico deveria começar a fazer substituições a partir dos 20'. Foi o que aconteceu. Para muitos, o técnico Tiago Nunes não acertou nas substituições. O tempo não passava, Lennon de tempos em tempos fazia este comentário, e o time do Santos estava ficando mais perigoso.

Depois de tanto aguentar os ímpetos do time do Santos , não sucumbir a pressão do peixe, numa bola vadia, perto do início do acréscimo, o Botafogo sofre o gol de empate. A arbitragem sinalizou 6' de acréscimo. Falei para o Lennon que ainda dava, que a gente ia virar , ganhar o jogo. Mas não aconteceu.

Antes de partirmos para falarmos da atuação dos jogadores, é preciso ressaltar que o empate foi um banho de água fria naquilo que seria as pretensões dos torcedores em relação ao time nesta reta final de campeonato: foi algo bem frustrante.

Seguindo pela ordem: Lucas Perri fez boas defesas no jogo, porém não é de hoje que sai para defender quando deveria ficar: já sofreu alguns gols assim. Danilo Barbosa teve uma atuação de gala (não só pelo gol), mas pelo conjunto da obra. Adryelson fez um jogo seguro. 

Victor Cuesta (tendo sido contestado por alguns torcedores durante a semana), mostrou GARRA e disposição. Excelente partida do Tchê²: preencheu os espaços do campo, não deixou de lutar. Gabriel Pires não comprometeu, sendo bastante útil. Marlon Freitas não agradou a alguns (poucos) torcedores irritados. 

Victor Sá (um dos melhores em campo) cansou e foi substituído: recebeu aplausos merecidos que saíram da torcida para o campo. Júnior Santos também foi aclamado pelos torcedores. Eduardo fez um excelente primeiro tempo, mas sumiu no segundo.

Tiquinho foi substituído e recebeu apoio da torcida, ainda que não tenha feito uma boa partida: está com crédito. Vamos agora falar sobre as substituições: Não acho que a entrada de Segovinha tenha sido de todo o ruim. No pós-jogo alguns torcedores comentavam que a culpa por ter saído do gol, passa por ele. Vai ver eu devia estar distraído, pois não vi aonde o jogador possa ter errado. Já vi bons jogos do Luís Henrique, mas ontem ele não estava bem: não marcava de forma adequada, não conseguiu forçar o erro dos adversários.

Conheço pouco do zagueiro Bastos, portanto prefiro não tecer comentários. Para alguns o revés também está relacionado à entrada de Di Plácido: não entendi por qual razão ele entrou no jogo.

Tenho pouco a dizer sobre a atuação de Janderson. Chega um ponto do jogo que a adrenalina te impede de fazer observações justas, aos sair do estádio, fiquei em frente ao bar do Russo esperando por Léo e tio Nivaldo. comecei a ouvir os comentários dos torcedores. Um desses torcedores disse que o problema do Botafogo é espiritual. Sou até capaz de concordar, mas eu iria me enveredar pelo plano filosófico e tão cedo não conseguiria sair daqui, e ainda tenho muito a dizer. Atravessei a rua para esperar meus amigos na saída do estádio.

Enquanto eu esperava por meus amigos, olhava os torcedores ao redor, mas era como se eu não estivesse lá. Era como se o tempo tivesse parado, congelado. foi nesse momento que vi um torcedor sair cabisbaixo. Ao levantar o rosto, a tristeza estava estampada e ele começava a chorar. Uma torcedora sugeriu ao marido que fosse consolar àquele torcedor. Não ouvi resposta. O acompanhei por alguns instantes: eu sabia o que dizer, mas fiquei na dúvida se conseguiria ser convincente. Preferi não arriscar.

Léo e tio Nivaldo chegaram. Vieram fazendo seus comentários. Antes de chegarmos ao estacionamento ainda paramos duas vezes e seguimos conversando. Se o Botafogo tivesse vencido, teríamos ficado um pouco mais por lá, no entorno do estádio, como isso não aconteceu, tivemos uma certa dificuldade para sair do estacionamento, mas nada que me fizesse preocupar com a situação: chegaria com tempo sobrando em Marechal Hermes. Quando cheguei lá, fiquei sabendo por meio de outros passageiros que ainda que encostasse um carro ali, este carro só sairia dali às 20h. Na moral: é muito esculacho com os passageiros. O tempo de um carro para o outro era de uma hora. Quando embarcamos o ônibus estava cheio, com passageiros em pé: parecia dia de semana. E detalhe: o carro que encostou, quando deu 20h foi para a garagem: era o fim de turno daquele motorista. As reclamações foram muitas quando o carro que havia acabado de chegar, parou. Ainda saímos atrasados de lá. no mais. os ânimos se acalmaram e  a viagem foi tranquila. Ao chegar em casa fui tomar banho e fazer um lanche.

Perguntei ao meu pai se ele tinha visto o jogo. Ele disse o seguinte: "Como leva um gol daqueles faltando pouco para o jogo acabar? Era só segurar mais um pouco que a vitória era nossa". Antes de eu sair para ir ao jogo, meu pai havia dito: "Nós vamos ganhar os quatro jogos que faltam e será o campeão". Eu poderia ter aberto a crônica falando sobre isso, pois agora, eu vou dizer o seguinte, na verdade (mais uma vez), meu pai: "Nós vamos ganhar os próximos três jogos e seremos campeões". Já falei para meu pai que o Botafogo não depende mais de si, precisa de combinações de resultados. Puta que pariu: eu quero deixar de acreditar, mas meu pai não deixa. Tenho a sensação de que tudo será decidido no último jogo, mas seja como for (campeões ou não) e caso sejamos, depois de tudo que aconteceu nesse segundo turno, como alguns torcedores estão dizendo será com "requintes de crueldade". Porém, espero que isso aconteça, pois calaremos os rivais e aqueles que passaram a desdenhar de nós.

Mas penso também que torcedores, clube, jogadores, comissão técnica entenderão que temos muito o que aprender e melhorar para que este tipo de situação não volte a acontecer. Para alguns, será um título amargo. Amargo ou não, de forma particular, eu digo foda-se: eu vou comemorar. Não passei por tudo o que passei para não comemorar. Porém, quem for fazer diferente irei entender e respeitar.

Para terminar: há os que acreditam, e os que não acreditam. E dentro desse universo, existem aqueles que vão e não irão ao estádio. Se você não concorda, apenas respeite. Não sou eu quem está dizendo isso, mas sim Rodrigo Mancha, uma opinião com a qual eu concordei. Enfim, queríamos a vitória. Sei que serei zoado: aliás, já começou. Muitos não vão entender que apesar disso, estivemos juntos, revemos amigos, fizemos novas amizades, e como uma família, torcemos juntos.

Saudações Alvinegras.

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