| (Foto: Vitor Silva / SS Press) |
No sábado a tarde estive na sede do Botafogo de Futebol e Regatas para a festa julina do clube; conversando com alguns amigos presentes sobre a minhas crônicas, uma amiga disse gostar das narrativas, que escrevo bem (talvez por isso mesmo, escreva muito) e sou minucioso nos detalhes! Em contrapartida um amigo por meio de uma critica construtiva, disse que eu falava coisas "desnecessárias", coisas essas que para mim fazem (faziam sentido) dentro da proposta inicial (há cerca de dois anos atrás) que era mesclar o antes, durante e depois da partida e de certa forma fazer um paralelo (biograficamente falando) com o Botafogo: já comecei o processo de mudança,mas nesta crônica (assim como na última, se não me falha a memória) voltarei ao estilo original, até por que, se eu for pensar em escrever (desta vez) somente sobre o jogo do Botafogo contra o Flamengo, não irá sair muita coisa...
Ao contrário das outras vezes, antes de sair de casa, não pesquisei o possível horário que o trem iria passar na estação, mas independentemente disso, havia falado com Gilson para pegarmos uma van e embarcarmos no trem na estação de Marechal Hermes: no entanto fomos para a estação de Padre Miguel mesmo; não sabíamos que a estação de Guilherme da Silveira, que aquela linha, estava passando por manutenção e antes de estarmos na plataforma, perderíamos um trem! Uma coisa era certa: nos fins de semana os trens passam de 40 em 40 minutos e isso nos deixara apreensivo: Gilson ainda iria comprar o seu ingresso, enquanto eu havia comprado o meu na tarde de sábado, na sede do Botafogo, tendo enfrentado uma fila no período de 1h40; havíamos combinado em não falar em Botafogo, afinal, o Botafogo estava indo jogar contra o Flamengo, mas Gilson de forma discreta, entrara no assunto. Os trens estavam atrasados devido a manutenção em uma das linhas...surgiram alguns (a maioria, apesar de ali ainda serem poucos) torcedores Rubro - negros e o fato de eu estar a paisana, não estava lá me dando muita tranquilidade! Se eu fosse supersticioso, eu diria que todo esse nervosismo e falta de tranquilidade era um prenuncio de que alguma coisa sairia errada...
Um outro fator era que (se não me falha a memória) Mauricio Assumpção havia ido à Brasília conversar com a presidente Dilma Roussef sobre o bloqueio das receitas do Botafogo: 100% e que se algo não fosse feito que ele teria de time da série A do brasileiro e em que isso nos afetaria: iríamos para a série B (por um caminho mais rápido) e sofreríamos sanções...o presidente do clube veio à público depois explicar que fora mal interpretado! Mal interpretado ou não, para algumas pessoas com quem eu conversei na fila da compra do ingresso e depois com alguns amigos a opinião era a de que Mauricio Assumpção abrira a boca para falar merda às vésperas de um jogo contra o Flamengo que até então era o lanterna do campeonato...isso nos fez pensar que o Botafogo estava se preparando para "entregar o jogo" para o rival no domingo! Conversando com meu pai sobre o assunto, ele não acreditava muito nessa possibilidade...
Não sabíamos o quanto de torcedores Botafoguenses haviam nos vagões daquele trem em que estávamos: se Gilson e eu estávamos preocupados, muitos outros provavelmente deviam estar também; na plataforma e dentro do trem, havia alguns torcedores Alvinegros com a camisa do time; quando desembarcamos na estação do Maracanã, surgiu aquele mar vermelho e preto: seus cânticos mais pareciam canções de homens que estavam indo para a guerra e não para um jogo de futebol, lazer...tivemos que subir a escada devagar, no caminho, torcedores rubro - negros dando socos em lugares os quais eles sabiam que iriam fazer barulho, lugares esses que com um pouco de força, poderia até danificar! No mesmo dia e no dia seguinte eu ficaria sabendo que houve confusão no metrô da Pavuna e que em São Paulo, a torcida do Palmeira depredara algumas cadeiras do novo estádio do Corinthians...enfim: existem vários tipos de violência e elas não cessam!
Sou sócio - torcedor e o mando de campo era do Flamengo, sendo assim, imaginando que eles lotariam mais do que a nossa torcida, por que eu fui assistir ao clássico? Era meu último fim de semana de férias e por ser sócio - torcedor paguei meia! Fui a esse clássico também devido ao fato de ter mudado o meu horário no trabalho e isso fará com que eu diminua a minhas idas ao estádio: na próxima partida contra o Cruzeiro, já não poderei ir e consequentemente não poderei escrever uma crônica: escrever uma crônica, baseando - se no que está ouvindo não é a mesma coisa do que escrever quando se está assistindo, seja ao vivo no estádio ou pela televisão!
Gilson achava que o estádio não iria encher; a torcida do Flamengo (é bem verdade) lotou, mas a do Botafogo compareceu em número razoável e quando chegamos na bilheteria havia fila e grande ainda por cima! Meu amigo achou melhor por bem, voltar para casa e eu fiquei; me senti culpado e quase voltei com ele: fiquei! Fiquei, mas fiquei preocupado; me utilizando do WhatsApp procurei saber se algum dos meus amigos já estavam por lá e encontrei um e depois visualizei outro: Simpatizo com algumas torcidas organizadas, mas não gosto de ficar "dentro" delas pois já aconteceu de eu não conseguir assistir aos jogos! Preferi ficar no lugar de costume o qual fico com Gilson...
A torcida do Botafogo poderia estar em menor número mas cantou muito mais alto do que a do Flamengo que estava em maior número! A partida começara: se para o nosso técnico (Vagner Mancini) o time jogara bem no segundo tempo (achei que foi mais correria do que oura coisa), eu já achei que o Botafogo jogara melhor no primeiro tempo; nos dois tempos o que aconteceu foi mais correria, sendo que no primeiro tempo, o Botafogo estava mais organizado, partia para cima, dividia as bolas e a marcação estava funcionando (é a segunda vez consecutiva que elogio a marcação do Botafogo sobre o time adversário), mas para variar, isso iria mudar quando o Botafogo sofresse o primeiro gol e viesse a síndrome do desespero pós gol! O placar seria de 1 x 0 para o Flamengo durante todo o restante do primeiro tempo até o final da partida; curioso (não é a primeira vez que escrevo isso) o time do Flamengo consegue ser tão ruim que o do Botafogo: o Botafogo na merda e eles só conseguiram fazer um gol na gente! E mais um pouco, mesmo aos trancos e barrancos poderíamos ter empatado a partida e mais: talvez até mesmo ter virado o placar, ainda assim, não teria sido um jogo convincente...
Sozinho, resolvi fazer algo que não tenho o hábito de fazer quando vou acompanhado: esticar as pernas no intervalo; meio desanimado e talvez já sem muita esperanças de que pudesse sair um empate ou uma vitória, me debrucei em um canto e fiquei olhando para o trânsito tranquilo lá fora da Av.Prof. Eurico Rabelo. Entretanto, eu precisava acreditar que o Botafogo poderia reagir! Voltemos por alguns instantes ao inicio da partida: os jogadores entraram em campo com uma faixa dizendo que estavam ali por que eram profissionais e por nós torcedores...ao término da partida muitos torcedores riram daquilo, afinal, se a situação do Botafogo não era das melhores, as circunstâncias para o Flamengo eram muito piores! Muitos torcedores que assistiram pela televisão ou ao vivo (como eu) desejavam ver o Botafogo fechar o "caixão" do Flamengo...não foi isso que aconteceu e os rumores dos salários atrasados vieram à tona novamente para se explicar àquela derrota! Havia sorrido comigo mesmo no início do jogo ao ver a faixa, não havia percebido que os jogadores levavam na tal faixa tudo o que o Botafogo deve!
Ao reconhecer um camarada que estivera na fila em General Severiano no sábado, perguntei a ele se podia assistir ao segundo tempo com ele: fui! Gilson me ligou querendo saber como estava o jogo e o placar (ainda não havia chegado em casa), lhe disse a quantas andava o jogo...após a ligação dele, consegui ficar um pouco mais tranquilo e com a ajuda do amigo com quem eu acompanhava o jogo, perceber que boa parte das jogadas do Flamengo era pelas laterais e em cima de Edilson! Talvez, eu tivesse reparado também, mas com os pensamentos longe, não liguei uma coisa a outra...Léo Moura, sempre a mesma coisa vai ao fundo ou até quase até o fundo e "quebra" o corpo para esquerda para desestabilizar o jogador adversário e seguir com a jogada: será que ninguém ainda não percebeu isso? Desestabilizar é a palavra: sempre que o Botafogo leva um gol (na maioria das vezes) se perde em campo! Daí o fato do título da crônica, dentre tantos outros motivos: ressuscitamos um morto! Mas o Flamengo não é o primeiro e nem será o último a ser beneficiado pelo Botafogo...
Jefferson como sempre, um monstro dentro de campo; Bolívar ajudava ao nosso goleiro orientando ao time;Dória em determinados momentos teve de se valer dos chutões e apesar das jogadas do Flamengo serem facilitadas no lado de Edilson, o jogador brigara bastante e mostrara disposição!
Seguindo essa linha de raciocínio, Gabriel e Emerson Sheik também se esforçaram também e por mais que Sheik seja um bom jogador não fui muito a favor de sua contratação e talvez ainda o seja, mas em termos gerais, tenho pena dele jogando no Botafogo pois quando eu disse que era contra sua contratação, muitos disseram que, por todos os times pelos quais ele passou, foi campeão! Será que ele conseguirá ser campeão no Botafogo? Não adianta o Corinthians pagar o salário dele, se o salários dos outros jogadores não está em dia!
Contar com Carlos Alberto foi uma frustração: fora de ritmo, caía mais do que jogava, recebeu um cartão amarelo por árbitro entender que ele estava tentando cavar faltas, aliás houve faltas que a arbitragem realmente deixara de marcar, mas nada que alterasse o rumo da partida ou os valores no placar! Airton e Julio Cesar não apareceram; com a entrada de Daniel a movimentação pelo lado do Botafogo melhorara, mas se o Flamengo, no primeiro tempo, na primeira chance efetiva de gol foi lá e marcou, o Botafogo desperdiçara...Wallyson quase não tocou na bola e se a fase para ele não é das melhores, imagine sem ter alguém para criar as jogadas para ele? Imagino que esse tenha sido o mesmo problema de Zeballos!
Enfim, ressuscitamos um morto! Já do ponto de ônibus ouvi a torcida rival gritar: "eliminados"! Me perguntei: Eliminados por quê? Voltei de ônibus para casa e já nas redes sociais (infelizmente) participei com torcedores rivais e até mesmo Alvinegros dos deboches e zoações contra o nosso time! Queria (sempre quero) que o Botafogo vença o Flamengo ou não perca, mas se não acontece, paciência: já estou mais acostumado: é melhor zoar e deixar ser zoado do que esquentar a cabeça...
Saudações Alvinegras!!!
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