quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Ressaca" - Parte I


Eduardo Hungaro, Botafogo x Union Espanola (Foto: Ivo Gonzalez/Agência O Globo)
Um dos responsáveis pelo péssimo desempenho do Botafogo (Foto: Ivo Gonzalez / Agencia O Globo)

A minha ida para o jogo do Botafogo no dia 02 de abril de 2014, começara alguns dias antes quando cheguei para o meu encarregado e disse que poderia mentir para ele, mas que preferia dizer a verdade e pedir - lhe para sair mais cedo para ir ao jogo do Botafogo que ocorreria no Maracanã. Ficara combinado que se o estacionamento não estivesse muito cheio e que se todos os meus outros colegas fossem trabalhar, que existia a possibilidade de eu sair cedo. Enfim, a quarta - feira chegou...
No plantão de segunda - feira, passei um pouco da hora resolvendo algumas pendências com meu amigo Rafael Mendonça ( o único que sabia que eu iria sair cedo para ir ao jogo) e isso acarretou em 35 minutos de hora extra; poderia utilizar esses minutos e abater no restante que eu ficaria devendo na quarta - feira...

Logo cedo, pela manhã de quarta - feira, meu encarregado me perguntara que horas eu pretendia sair; rspondi - lhe que as 18 horas estava bom. Mas se eu não estava ansioso parecendo que às 19:45 não haveria jogo do Botafogo, eu estava no minimo preocupado: se fazia necessário que todos os meus colegas fossem trabalhar; comecei a respirar tranquilo quando o funcionário das nove horas chegou...estava no caixa da empresa quando o colega das 10 horas apareceu: respirei mais tranquilo ainda! Voltei para o piso e o estacionamento enchia a olhos vistos, a ponto de a gente ter de anunciar que não havia mais vagas...na hora que eu pretendia sair, o movimento tinha de estar menor e com  todos os meus colegas por lá, ficaria (sem minha ausência) mais fácil de contornarem a situação. Os outros dois colegas do horário de meio - dia chegaram e em relação a quantidade de pessoas no meu ambiente de trabalho, eu já poderia ficar tranquilo, mas ainda havia o fator lotação e isso eu teria de aguardar...

Fui na hora do almoço resolver um problema na rua, não só para mim como para todos os outros colegas e tive de almoçar correndo; ao terminar o almoço comecei a sentir uma dor de cabeça a qual começava aumentar; não podia deixar que uma dor de cabeça me impedisse de ir ao jogo à noite: tomei um remédio e voltei ao trabalho. O estacionamento dera uma esvaziada, mas seria ilusão pensar que ficaria daquela forma até as 18 horas: o mesmo voltara a encher...voltei para o caixa, esperando que alguém fosse me render às 17 horas para que eu fosse lanchar e assim foi feito; quando já estava na sala pensei: teria sido melhor que eu não tivesse tirado hora do lanche! Voltei para o caixa e antes avisei que alguém me rendesse às 18 horas; telefonei para meu pai (que trabalha perto do meu emprego) lhe avisando que passaria por lá para que ele trouxesse minha mochila de volta para casa. 

Quando batera 18 horas no relógio comecei a não só ficar ansioso como também preocupado: já havia feito o caixa e tudo estava correto, eu só precisava que alguém fosse me render; chegou um cliente para pagar o estacionamento e via rádio, havia outro na mesma situação no "piso" e para completar, Gilson me telefona nesse momento querendo saber se eu iria ou não para o jogo...não pude responder de imediato; resolvido todos os problemas pendentes, meu encarregado passara pelo caixa perguntara por que eu ainda estava ali e que era para mim ter pedido a redenção logo que havia dado 18 horas! Mas é o tal negócio: o senso de dever falara mais alto...subi, fui na nossa sala e comecei a me desarrumar diante dos olhos de um outro colega que não estava muito satisfeito em saber que eu estava saindo cedo...pensei comigo: foda - se, faz dias que com menos um e menos dois que venho trabalhando por mim e por eles tendo dias que até falta de ar eu senti, ficar um pouco sem minha presença (por apenas uma hora, já que eu sairia as 19 horas) não iria "matá - lo". Ia descer pela rampa de entrada e saída do estacionamento quando o colega que estava no caixa disse que estava faltando dinheiro; voltei lá e combinei com ele que se estivesse algum erro na contabilidade (já que ele iria contar de novo) que ele me desse o dinheiro na sexta - feira. Sim: eu deixei o dinheiro por lá! Saí à passos largos rumo ao trabalho do meu pai; chegando lá tirei a camisa do uniforme e guardei na mochila; peguei a camisa do Botafogo e a vesti; peguei meu Bilhete Único Carioca e parti rumo a estação de Guilherme da Silveira para embarcar no trem rumo a estação de São Cristóvão...

Eu havia acabado de perder um trem; para minha sorte viera um parador uns 5 minutos depois e junto de um pai e seus dois filhos, embarquei e fomos conversando. Perto de uma das portas, do outro lado do vagão a minha esquerda havia um torcedor Alvinegro; a minha direita e bem de frente para mim, havia dois colegas que pareciam estar indo para o jogo e ao lado deles um torcedor Vascaíno que nos contara a seguinte história: ele é morador do Engenho de Dentro e mora em uma das ruas no entorno do Engenhão e fez amizade com pedreiros e engenheiros que por lá estão e lhes perguntou se o Engenhão realmente estava condenado, no que a galera respondera que o Engenhão não sofre de nenhum dano estrutural e que essa obra é só para "arrecadar" dinheiro! Vamos fazer uma pausa no que diz respeito ao futebol e vamos falar um pouco sobre política: meu querido, minha querida - esse ano é ano de eleição - Cesar Maia pode vir como candidato ao governo do estado e o Estádio Olímpico João Havelange foi construído em sua gestão, nada melhor do que criar uma intriga para "queimar" o filme de um possível candidato não é mesmo? Volta Cesar Maia...voltemos ao futebol: pelo que me consta, os dois colegas iriam soltar em São Cristóvão e eu que lá costumo soltar, fiquei pela estação de Mangueira acompanhando o pai e seus dois filhos; depois que atravessei a Radial Oeste, apertei meus passos (a hora do jogo começar se aproximava) e fui me desviando das pessoas que estavam à minha frente e isso só me foi possível até subir a rampa da estação de metrô do Maracanã que estava tumultuada; menos rápido e abrindo espaços, consegui dar uma corrida na descida da rampa para sair na calçada do estádio: mais gente! Dei um pique e corri, mas cansado tive de me contentar em apenas andar rápido mesmo...cheguei no setor C e a fila era enorme para entrar!

Subi a rampa correndo; os torcedores estavam em pé: passei por eles e desci alguns degraus procurando por meus amigos que guardavam o meu lugar: Armando, Gilson e Vitor. Entrei pelo corredor onde estavam outros amigos tão bacanas e leais quantos os primeiros: Fátima, Guto e Marco mais a amiga deles: Solange! Quando Armando me viu, abrira um sorriso e exclamou meu nome e eu para retribuir gritei (sem saber que só seria aquela vez) o meu já tradicional: É BOTAFOGO PORRA! Vitor me dissera que eu perdera o mosaico ("Somos um só") e que havia ficado maneiro...disse para ele que depois veria na internet.

No primeiro tempo o Botafogo jogara melhor ou se preferir jogou com vontade; tinha mais volume  e dominara o time adversário que até chegava com perigo em nossa área, mas sempre erravam no último toque, faltava capricho e isso fez com que JEFFERSON pouco trabalhasse e mesmo tendo sofrido o gol (de um pênalti duvidoso) não tira o brilho de sua partida; em contrapartida antes do Botafogo sofrer o gol, não fazer o nosso fazia com que todo nosso domínio não fosse o suficiente...apesar de não ter aparecido tanto no primeiro tempo LUCAS jogou bem, apesar de em determinados momentos, fez com que alguns torcedores reclamassem dele ao dizer que ele não sabe (como em tempos idos) fazer um cruzamento; BOLÍVAR foi outro jogador que não comprometeu e talvez por isso mesmo eu não tenha ouvido falar em seu nome por outros torcedores próximos a mim; DÓRIA se fez presente e foi aplaudido em alguns lances onde poderia ter surgido perigo iminente, dando tranquilidade para o time; no intervalo eu elogiara o Julio Cesar: correu, brigou e não pelo pênalti que ele cometeu (será mesmo?) mas o seu rendimento caiu com o do restante do time no segundo tempo; JÚLIO CESAR foi substituído no final do segundo tempo por RENATO e aqui eu faço uma pausa para levantar um questionamento que, muito provavelmente eu já devo ter levantado em outras crônicas: o que leva um treinador a fazer uma substituição no final de uma partida que se está perdendo? Se sou eu, não entro! E outra: nem que colocasse o RENATO mais cedo, a partida não era para ele! Durante o intervalo, quando eu começara a elogiar alguns jogadores (quase que seria meio time) eu não sabia o que nos esperava no segundo tempo, sendo assim, elogiei também MARCELO MATTOS, falhas sempre haverão, mas ontem, até que ele não falhou tanto, até que levou o cartão amarelo que fez com que ele desfalcasse o time para a última rodada, o último jogo contra o San Lorenzo na Argentina na quarta - feira da semana que vem, onde iremos decidir nossa sorte na taça Libertadores; Marcelo Mattos foi substituído por DANIEL em um momento o qual já estávamos perdendo a partida e que sua entrada não modificaria em nada o andamento da partida; BOLATTI trombava muito com os jogadores adversários e ali pelo meio de campo houve ocasiões em que eu vira ele perder muitas bolas, não conseguir avançar; JORGE WAGNER fora regular, partiu em disparada muitas vezes, "cortando" os jogadores adversários, mas foi só; LODEIRO correra muito, teve disposição, fez o que pôde, perdera uns dois gols dentre os vários que o Botafogo já havia perdido e em um desses gols perdidos foi atribuído ao Henrique! WALLYSON já não vem produzindo aquilo que muitos de nós torcedores achávamos que poderia produzir...

Voltemos no tempo: Rafael Marques foi embora do Botafogo e eu fui um critico voraz durante um bom tempo de suas atuações pífias e eu dizia: espero que eu queime minha língua e queimei! Certamente isso deve ter acontecido com você também...é me "escorando" nessa tese que defendo o HENRIQUE, mas eu disse em alguma dessas crônicas publicadas que, se ele não jogasse nada, que eu iria criticar e ontem ele não jogou (falando em bom português) porra nenhuma! Henrique é limitado, eu sei disso mas se esforça para melhorar, assim como Rafael Marques se esforçara e por isso eu o defendo, mas se tiver que ir embora, que vá, nesse caso não serei saudosista, principalmente se vier outro menos limitado...o próprio Hungaro dissera em entrevista que o time insistia em fazer jogadas aéreas e que não estava dando certo, se ele (o técnico) estava vendo que não estava dando certo, por que não orientar seus jogadores? Mas sobre o Hungaro falarei daqui a pouco...Quem estava na frente era o HENRIQUE e não Ferreyra; o jogo de ontem era para ser jogado no chão! Mesmo que houvesse erros de passes, era na base de toques que o jogo deveria ter sido jogado...atacantes vivem de gols e (pobre HENRIQUE) mais uma vez foi preterido por causa de El Tanque Ferreyra; gostaria de deixar registrado aqui que até eu senti falta do "tanque" ontem, mas por que? Por que as jogadas eram todas feitas pelo alto; Quando RONNY substituiu Henrique, pensamos que fosse melhorar alguma coisa, mas se Henrique estava jogando mal, Ronny conseguira ser pior e não foi só eu que percebi isso: uma família que estava atrás de mim, um dos membros da família dissera assim: "o Henrique não estava bem, mas estava melhor do que esse Ronny..." não disse nada, mas concordei: Hungaro trocara seis por meia dúzia, simples assim!

O time do Botafogo não é ruim: é de regular para bom e tem muitos jogadores que não estão sendo utilizados da maneira adequada e você percebe isso quando um jogador que muita das vezes (falo por mim, eu vi) está parado no meio do campo esperando a bola ou andando como El Tanque Ferreyra e que quando ele fica fora se torna o salvador da pátria é por que tem alguma coisa errada! Sei que muitos irão me questionar e perguntar: "quem você colocaria no lugar dele? O Henrique? Será que não percebe que não temos outro atacante? Que a diretoria não soube contratar"? Também falarei sobre nossa diretoria, mas chego em um ponto o qual creio que terei (pela primeira vez) dividir minha crônica em duas partes! Estou ansioso, na expectativa de que o Botafogo passe para a próxima fase do torneio para que eu possa ver Zeballos jogar e ver se faz frente, se é melhor que El Tanque e Henrique juntos! Sou contra o fato de ficarmos na dependência de um jogador só e aproveitando que estou falando em contrariedade, não sou a favor da vinda de Sheik para o Botafogo, ele pode até ser um bom jogador, mas o acho desagregador; quanto ao El Tanque que o tempo me diga se estou certo ou errado, caso errado, eu venho aqui (já disse isso antes) e darei o braço à torcer...

Hoje, se eu estivesse de escolher um técnico, eu teria ficado com o Oswaldo de Oliveira mesmo: aumentava um pouco seu salário e mantinha parte da "espinha dorsal " que foi o nosso time ano passado com contratações pontuais ou:
Com a saída de Seedorf pagava o salário do Tite e mantinha parte do time do ano passado e assim como seria com o Oswaldo faria contratações pontuais;
Na pior das hipóteses, tem sempre o "papai" Joel...pelo menos ele sabe incentivar o time e eu acho que falta um pouco disso no atual Botafogo, no fim das contas, qualquer técnico no momento é melhor que EDUARDO HUNGARO!

Um técnico medroso e apático que pelo que a gente percebe não treina jogadas ensaiadas; abdicou de jogar e tentar vencer para sermos bicampeões carioca pois o time não tem padrão de jogo e para ter mais tranquilidade montara esquemas táticos mesquinhos no Carioca o qual tivemos uma das piores campanhas! Eu tinha um bom exemplo aqui para dar, mas meus "quatro seguidores" não vão gostar da comparação, então, vou preferir exercer meu direito ao silêncio...mas vai ter gente dizendo que o técnico é ruim por que a diretoria montou um time ruim! Pode ser, mas se EDUARDO HUNGARO tivesse mais bagagem, se EDUARDO HUNGARO fosse malandro, ele conseguiria tirar "leite de pedra"!

A torcida fizera sua parte: compareceu; o time decepcionou com casa cheia podendo se consagrar e conquistar uma vaga com antecedência e ser o primeiro do grupo! Agora ou vai ou racha em Buenos Aires na quarta - feira que vem...como sempre, meu otimismo e eu (que as vezes dá sinal de cansaço) seguirá apoiando o Botafogo!

A saída do jogo, os comentários de outros torcedores, a nossa diretoria e o ato trabalhista, na parte II desta crônica...

Saudações Alvinegras!
Continua...






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